terça-feira, 13 de agosto de 2013

REFLEXÕES SOBRE O DINHEIRO



REFLEXÕES SOBRE O DINHEIRO

Quando a humanidade se começou a organizar numa sociedade, isto é: quando deixou de ser uma comunidade de pescadores e caçadores e passou a sedentarizar-se e cultivar a terra, começou a debater-se com a necessidade das trocas comerciais. O agricultor que cultivava trigo tinha necessidade de escoar os seus excedentes e ao mesmo tempo adquirir aquilo que não cultivou. Eu que nasci numa pequena aldeia de Trás-os-Montes, ainda assisti à troca directa entre um alqueire de trigo por um litro de azeite, por exemplo.
 Quando as comunidades começaram a expandir-se para alem do seu território de influência, e ao mesmo tempo contactar com outros povos, punha-se o problema da troca directa, embora esta pudesse efectuar-se, agora o problema do transporte era fundamental, porque alem de terem que transportar a sua mercadoria excedentária, tinham também que transportar a mercadoria proveniente da troca.
 A humanidade chegada aqui, teve que inventar uma mercadoria, que fosse aceite por todos, uma mercadoria da troca.
 Desde os primórdios da humanidade que os metais preciosos (ouro, prata e platina) eram a mercadoria mais preciosa e valiosa e consensualmente aceite pela grande maioria dos povos da antiguidade. A história diz-nos que foram os Fenícios, o primeiro povo a cunhar moeda em ouro e prata, e assim a desenvolver uma economia ao longo de todo o mediterrâneo.
 Passou-se então de uma economia baseada na troca directa, para uma economia baseada na troca da mercadoria por outra mercadoria padrão, tinha-se inventado o dinheiro.
 Durante séculos a economia desenvolveu-se deste modo, mas em que o dinheiro era, ele próprio, portador de um valor facial que correspondia ao seu valor real, uma moeda em ouro, valia o seu peso em ouro, a prata a mesma coisa etc. este sistema ainda chegou aos nossos dias, se visitarmos uma colecção de moedas antigas, ainda nos deparamos com muitas moedas em ouro e prata,
 Com o aumento das trocas comerciais este sistema torna-se cada vez mais desajustado, porque era necessário transportar grandes volumes destes metais para realizar as grandes trocas, daí a humanidade sentir novamente a necessidade de arranjar um novo padrão para fazer a troca entre mercadorias, padrão esse que tinha que ser aceite por todos, tal como o anterior.
 Ora nem nessa época, nem nos dias de hoje, a humanidade foi capaz de descobrir uma mercadoria padrão, que cumprisse esta função, e que fosse aceite por todos, a não ser os metais preciosos.
 A humanidade optou então por manter os metais preciosos como mercadoria padrão, mas armazená-los nos cofres dos seus bancos nacionais emissores, fazer circular em sua substituição, qualquer coisa que o representasse, nasce assim o dinheiro papel.
 As primeiras notas em papel, até mais ou menos, meados do século XX, alem de terem impresso o seu valor facial, era-lhes acrescentada a palavra ouro. Isto queria dizer que a entidade responsável pela emissão destas notas, possuía à sua guarda o valor equivalente em peso de ouro.
 Puseram-se então a circular notas em papel, cujo valor real era apenas a soma do custo do papel, mais o custo da impressão, mas com a garantia dada pelo emissor destas notas, que existia ouro guardado em reservas nacionais que cobria por inteiro o valor facial indicado nas notas. É claro que um sistema destes pode funcionar, mas terá que cumprir sempre a premissa importante; ser aceite por todos.
 Este sistema pouco tempo vingou, porque era difícil, ou quase impossível, rastrear a veracidade do sistema, se existia, ou não, ouro suficiente que garantisse a cobertura total das notas de papel em circulação.
 É claro que os países economicamente mais poderosos, começaram a não aceitar as notas dos países com economias mais débeis, e assim chegámos à situação actual; o valor do actual padrão de trocas é: custo do papel em que está impresso, mais o custo da impressão, e sem ninguém perceber exactamente o que este papel representa.
 Na actual situação mundial, só poucos países conseguem fazer trocas de mercadorias, utilizando a sua moeda nacional, sem incorrer em grandes erros nomearia os E.U.A (dollar), U.E (euro), Japão (iene), Inglaterra (libra), Suiça (franco), Canadá (dollar) e poucos mais, se os houver. Quer isto dizer que 90% dos países mundiais utilizam a sua moeda nacional para fazer trocas no seu mercado interno, e uma outra moeda que não a sua (normalmente o dollar) para fazer trocas com qualquer um dos outros países mundiais.
 De seguida vamos dar um exemplo da troca de mercadorias entre alguns países mundiais
 Vamos analisar, por exemplo, a compra de 2.104 barris de petróleo a Angola por parte dos E.U.A.
 1º- Angola envia 2.104 barris de petróleo para os E.U.A e recebe em troca 2.106 USD.
 2º- Angola pretende adquirir trigo, mas não pode utilizar a sua moeda nacional (kwanza) porque nenhum dos outros países os aceitam, então tem que utilizar os dollars provenientes da venda do seu petróleo. Neste caso compraria 2.103 toneladas de trigo à Austrália em troca dos seus 2.106 USD.
 3º- A Austrália compra 2.104 toneladas de café à Colômbia, mas tal como Angola terá que utilizar os 2.106 USD, provenientes da venda do seu trigo, porque a Colômbia não lhe aceita a sua moeda nacional.
4º- Por fim a Colômbia negoceia com a China e adquire 2.109 de chinesices e entrega-lhe 2.106 USD provenientes da venda de 2.103 toneladas de café à Austrália.
 Todas estas actividades comerciais, como qualquer uma, são uma mera troca de mercadorias, utilizando para a sua realização um facilitador de trocas; vulgo dinheiro. Quer Angola, Austrália e Colômbia cumpriram na íntegra esta premissa:
 Angola trocou 2.104 barris de petróleo por 2.106 toneladas de trigo.
 Austrália trocou 2.103 toneladas de trigo por 2.103 toneladas de café.
 Colômbia trocou 2.103 toneladas de café por 2.109 de chinesices
 Resta-nos então a China e os E.U.A, como se vê no esquema a China trocou 2.109 de chinesices por 2.106 unidades de facilitador de trocas cujo valor real, como vimos, é o valor do seu custo (custo do papel mais o custo da impressão), isto se estes 2.106 forem impressos, porque se forem virtuais que é o que normalmente se utiliza hoje, nos movimentos internacionais, então o seu valor será zero.
 Os E.U.A receberam 2.104 barris de petróleo, a sua comunidade consumiu-os e entregaram zero (2.106 unidades de facilitador de troca).
 Falta-nos ainda analisar a relação China vs E.U.A. percebe-se perfeitamente que aquilo que a China vai entregar aos EUA são 2.106 USD, os quais finalmente regressam à proveniência, isto é; a quem os emitiu, e também não há dúvidas que os EUA têm que assumir a responsabilidade da sua emissão, e ao longo das últimas cinco ou seis décadas em que este sistema funciona sempre a assumiram. Será que vai ser sempre assim? No futuro os EUA mesmo que queiram assumir a sua responsabilidade, será que o poderão fazer?
 Presentemente a balança comercial chinesa export/import é muito favorável à China, isto é: a China exporta mais do que importa, e porque todas estas trocas são realizadas utilizando o USD como facilitador de trocas, o resultado é a China acumular enormes quantidades de USD, que não lhes servem absolutamente para nada.
 Não lhes servem para serem utilizados como facilitador de trocas, no seu mercado interno, para isso têm a sua moeda nacional, que lhes custou o mesmo, o que custaram os USD aos EUA, zero, e pelo contrário os USD que possuem agora em excesso, tiveram que entregar um monte de chinesices para os obter.
 Não lhes servem para fazer mais compras fora da sua comunidade, porque já fizeram todas as suas operações de import em USD
 Então só lhes resta enviá-los para os EUA, cujo destinatário é a reserva federal americana.
 Vi ou li em qualquer lado a seguinte afirmação: Actualmente o maior credor da dívida soberana dos EUA é a China. Dou comigo a pensar, mas como isto é possível? De certeza absoluta que os EUA não pediram USD emprestados à China, porque na eventualidade de os EUA precisarem de USD, então porque não os emitiram, como sempre fizeram e a um custo zero?
 Muito menos pediram à China moeda nacional chinesa, porque não a querem, nem precisam dela, esta moeda não serve para o mercado interno americano e se porventura servisse para o mercado externo, para isso têm a sua, a qual é aceite por quase todas as comunidades do planeta, e mais uma vez seria muito mais lógico produzi-la, a custo zero, do que pedi-la emprestada.
 Agora percebo perfeitamente qual a origem da dívida soberana dos EUA em relação à China, resulta desta montanha de USD que sobram aos chineses e para os quais os EUA não têm nada para dar em troca, e de cuja emissão foram responsáveis, então só lhes resta uma via para assumirem a sua responsabilidade e que os chineses sejam capazes de aceitar, emissão de dívida pública soberana, na forma de títulos do tesouro americano, e entregá-los aos chineses, e finalmente estão pagos os 20.000 barris de petróleo que os EUA adquiriram a Angola. Quanto tempo passou?
 E quanto mais tempo chineses e americanos vão aguentar esta situação?
 É conhecido que os americanos ao longo, de pelo menos meio século, fizeram uma enorme sementeira de dollars por todo o mundo, não exageramos se afirmarmos que 80% dos países mundiais têm utilizado o dollar para efectuar as trocas comerciais entre comunidades diferentes
 Entretanto na última década apareceu na cena internacional, um novo player o qual em termos comerciais está a crescer imenso, ao ponto de já ser considerado o 2º pais mais poderoso do mundo, isto em termos económicos. Prevê-se que na próxima década ultrapasse mesmo os EUA, este país é a China
 Dado que se arranjou um caminho preferencial e um ponto de confluência para a circulação destes dollars, que é a China, será que este país vai aceitar indefinidamente que os EUA paguem em títulos de dívida este excesso de dollars? E quando a China se tornar na 1ª potência económica do mundo? Não tentará impor a sua moeda como a principal moeda de troca? E qual será a resposta dos EUA?
 São tudo interrogações e inquietações que não afectam somente estes dois países, mas sim todos os países do mundo, não só economicamente, mas também em termos de segurança, pois nunca será de excluir o uso da força para resolver este tipo de situações.
 Penso que chegou a hora de todas as comunidades mundiais, interiorizarem que existe realmente um problema monetário internacional e que chegou o momento de agir, mostrando a quem nos governa que é possível encontrar um sistema a nível global, onde todos os países estejam representados, não de uma forma igualitária (os países não são iguais), mas sim de uma forma justa para todos e que finalmente seja aceite por todos, reinventando a filosofia que esteve na origem da criação do sistema inicial.
  
                  Reflexões Sobre O Sistema Actual
 Quando o sistema começou, século V ou VI a.c. com os Fenícios, as trocas dentro de uma mesma comunidade eram feitas de forma directa, a comunidade era pequena, os produtos a trocar eram poucos, e a troca realizava-se quando era aceite pelos dois intervenientes.
 Quando os Fenícios saíram da Fenícia, por mar, estiveram em contacto com outras comunidades ao longo do Mediterrâneo e de certeza que continuaram a fazer trocas directas com as diferentes populações que foram encontrando, dado que já as faziam no interior da sua comunidade
 Muito rapidamente, este povo, deveria ter chegado à conclusão que as trocas directas realizadas nestas condições não resultavam ou resultavam mal, porque tinham que largar com os barcos carregados de mercadorias, excedentárias para eles, e que queriam trocar. Quando retornavam à Fenícia voltavam com os barcos mais uma vez carregados com o produto das trocas.
 Chegado aqui, este povo teve que imaginar um tipo de mercadoria que fosse trocável por qualquer uma das outras, e surgem então os metais preciosos (ouro, prata e platina). Porquê ouro, prata ou platina? Porque era aceite por todos. Quer compradores quer vendedores aceitavam trocar as suas mercadorias por qualquer um destes metais preciosos, e o sistema funcionava não porque a mercadoria da troca fosse o ouro a prata ou a platina, mas porque era aceite por todos.
 Trouxe novamente estes primórdios da humanidade, em que aconteceu o aparecimento do dinheiro, para reafirmar que o sistema só funciona quando for aceite por todos. Eu tenho uma mercadoria para trocar, só a trocarei se aquilo que me querem dar em troca for aceite por mim, e como é lógico os outros farão igual.
 O sistema de trocas baseado nos metais preciosos como moeda de troca, funcionou bem, durante muitos séculos, porque quer vendedores quer compradores recebiam a sua mercadoria no exacto momento da troca.
 Este sistema só foi abandonado porque se tornou obsoleto, não pela sua funcionalidade mas porque se tornou demasiado pesado, pesado no verdadeiro sentido da palavra.
 O próximo passo não foi o abandono completo do sistema de metais preciosos, mas sim fazê-lo representar num rectângulo de papel a que chamaram nota. Este sistema baseava-se em retirar os metais preciosos de circulação, guardá-los nos cofres dos bancos nacionais emissores e por a circular em sua substituição um rectângulo de papel, onde era impresso um valor quantitativo e qualitativo e que representava a sua quota-parte do metal precioso, entretanto armazenado
 Uma nota de (100) emitida pelo banco de Portugal era impressa com o número 100 e as palavras escudos e ouro. A mesma nota emitida em Espanha era impressa com o mesmo número 100, mas com as palavras pesetas e ouro.                                             
 Estas notas embora quantitativamente sejam a mesma coisa (100), são diferentes na sua qualidade, escudos e pesetas, porque não representavam a mesma quantidade de ouro.
 Penso cá para mim, que foi logo a partir daqui que a humanidade começou a lidar mal com o dinheiro, porque se este é apenas um facilitador da troca entre mercadorias diferentes e representavam a mesma mercadoria (ouro), porque razão não se fez uma nota mundial e se imprimisse apenas o que ela representava?
 Tinha-se evitado logo aqui uma série de trapalhadas, com câmbios, taxas de câmbio, moedas fortes, moedas fracas etc.
 Este sistema não durou muito tempo porque as pessoas não acreditavam nele.
 Os portugueses poderiam ter dúvidas que os espanhóis armazenassem a quantidade correcta de ouro em relação ao papel em circulação.
 Os espanhóis poderiam ter dúvidas que os franceses armazenassem a quantidade correcta de ouro em relação ao papel em circulação, etc., etc., etc., isto é: deixou de ser aceite por todos, e ao acontecer isto começou a haver papel com valor e papel sem valor, havia papel que era aceite em praticamente todas as comunidades e outro que só era aceite pela comunidade onde era emitido. Praticamente ainda todos nos lembramos, que para comprarmos caramelos em Badajoz, era necessário arranjar pesetas antecipadamente.
 Ora como já ninguém acreditava no ouro armazenado e a economia tinha que acontecer, o homem em vez de parar um pouco para pensar, fez a fuga em frente, já que ninguém acredita no ouro, para quê fazer-lhe referência nas notas? A partir de agora estas serão apenas um pedaço de papel (no verdadeiro sentido da palavra) e a frase chave que durante milénios deu credibilidade ao sistema, ser aceite por todos, passou a ser: tem que ser aceite por todos, logo um sistema imposto; finalmente chegámos à actualidade! É claro que para impor ao mundo um sistema como este, não é só necessário ter uma economia forte, também é preciso ser-se forte fisicamente!


FUTURO

Será que este sistema, tal como existe, vai durar muito mais tempo? Um sistema imposto é, e será sempre, um sistema injusto, desigual, prepotente e que beneficia sempre os mais fortes em detrimento dos mais fracos, por isso acredito que mais cedo ou mais tarde a humanidade irá rejeitar este sistema e substitui-lo por outro que seja finalmente aceite por todos.
 Tal como a sociedade está organizada, fazendo girar tudo à volta do dinheiro, é impensável criar um novo sistema sem dinheiro. Então porque não criar um novo sistema tirando partido daquilo que o dinheiro tem de bom, e retirar-lhe alguns malefícios que o tornam tão injusto?
 Na criação de um novo sistema monetário, há algumas premissas que têm que ser cumpridas, a saber:
 -1º O sistema tem que existir a nível global
 -2º O sistema tem que ser aceite por todos
 -3º O sistema tem que ser simples, que todos os intervenientes o compreendam
 -4º O sistema tem que tratar todos de uma forma justa, não de uma forma igualitária, os diferentes países não são iguais
 Para cumprimento do 1º e 2º, só há um local no planeta onde é possível discutir-se um sistema destes, são as Nações Unidas, local onde todas as comunidades mundiais estão representadas. Para cumprimento do 3º e 4º vamos nós tentar abordar o problema.
 Todos os países do mundo têm a sua moeda nacional, moeda essa que serve perfeitamente para as comunidades fazerem as suas trocas internas. O dollar utilizado dentro dos EUA tem o mesmo valor que o metical utilizado em Moçambique, ambos conseguem ser a moeda de troca entre mercadorias diferentes, portanto 100% dos países mundiais conseguem fazer as suas trocas internas utilizando a sua moeda nacional, e apenas 10% conseguem utilizar a sua moeda nacional, nas trocas internacionais, logo o que torna este sistema injusto é precisamente este ponto, que apenas 10% consigam fazer trocas internacionais, com a sua moeda nacional
Em relação ás trocas internas estamos entendidos, todos os países do mundo utilizarão a sua moeda nacional para fazerem as trocas comerciais dentro das suas comunidades, e só, quer isto dizer: - o dollar só terá valor dentro dos EUA, o real só terá valor no Brasil, a libra só terá valor na Inglaterra, etc.
 Para completar o sistema falta-nos algo que consiga efectuar as trocas internacionais de uma forma justa, e que seja aceite por todas as comunidades, e é neste ponto que a ONU voltará a intervir.
 A ONU criará um banco mundial, e uma nova moeda, à qual nós chamaremos por agora unidade monetária mundial (UMM), quer o banco mundial quer as UMM, não precisam de existir fisicamente, é suficiente que existam apenas de uma forma virtual.
 O banco mundial será a única instituição nova a criar, toda a restante estrutura do novo sistema monetário internacional já existe, faz parte do actual sistema monetário, a saber:
 - Dinheiro papel, cada país tem o seu.
- Bancos comerciais, já existem.
- Bancos nacionais emissores, cada país tem o seu.



               RESPONSABILIDADES E COMPETÊNCIAS

Todos os indivíduos, pessoais ou colectivos, duma comunidade, operarão entre si utilizando ou não os seus bancos comerciais, mas servindo-se apenas da unidade monetária atribuída à sua comunidade, por outras palavras; no 1º nível as actividades comerciais far-se-ão tal como acontece hoje, com a simples nuance de serem feitas recorrendo apenas ao seu dinheiro.
 Os bancos comerciais existentes operarão entre si e os indivíduos da sua comunidade, utilizando sempre, e só, a unidade monetária dessa comunidade.
 Haverá sempre um, e só um, banco nacional emissor por cada comunidade. Este banco será o emissor do dinheiro para a sua comunidade, controlará as actividades internacionais dos respectivos bancos comerciais, vigiará e regulará as actividades internas dos bancos comerciais, tal como acontece hoje.
 O banco mundial, dependendo directamente da ONU, será a única instituição nova, a criar. Quando a ONU criar esta nova instituição, dotá-la-á das UMM necessárias para o funcionamento do sistema, é claro que para fazer esta dotação terá que haver um critério, critério esse que terá que ser o mais justo possível, e como os países não são iguais, quer em termos de população, quer em termos económicos, e como a dotação inicial, a meu ver, terá que fazer reflectir essencialmente estes dois parâmetros, a ONU criaria no banco mundial uma quantidade de UMM para cada comunidade, igual ao PIB anual dessa comunidade, dado que este representa o número de habitantes e a riqueza de cada país. A ONU só precisará de fazer esta dotação apenas uma vez, logo de início quando do lançamento do sistema, dado que a partir daqui estas UMM são imutáveis, em termos de sistema.
SUMM = K
O somatório das unidades monetárias mundiais é sempre a mesma (constante). De realçar, mais uma vez, que quer o banco mundial, quer as UMM não têm existência física, ambos são virtuais. Dado que os diferentes países irão trabalhar com o dinheiro que já possuem, a ONU além de estabelecer a quantidade de UMM a cada país, terá de estabelecer também o factor de paridade entre cada uma das moedas mundiais e a UMM, e este factor de paridade também é sempre o mesmo, acabam-se portanto as valorizações e desvalorizações artificiais das moedas.
 E pronto chegámos ao fim da apresentação de um novo sistema monetário mundial
 Vamos tentar com alguns exemplos demonstrar a simplicidade do sistema, e o quanto ele poderia ser eficaz, se porventura algum dia fosse implementado!
 1º Exemplo - Trocas dentro da mesma comunidade.
 As trocas comerciais dentro das comunidades (trocas internas), far-se-ão entre os indivíduos, pessoais ou colectivos, dessa comunidade, utilizando ou não, os respectivos bancos comerciais, tal qual acontece presentemente, mas com a pequena diferença de usarem apenas, e só, o dinheiro dessa comunidade.
 2º Exemplo – Trocas entre comunidades diferentes.
 Estas trocas são aquelas operações comerciais vulgarmente conhecidas como operações de importação / exportação, trocas externas. Nestas operações já entram em acção os bancos nacionais emissores e o banco mundial, vamos dar um exemplo prático:
 Os U.S.A. pretendem adquirir uma determinada quantidade de petróleo a Angola; operação de importação para os U.S.A. e de exportação para Angola, pelo valor total de X.
 O importador dirige-se a um dos bancos comerciais da sua comunidade, onde transforma o valor X (dollars) em UMM, aplicando para isso o factor de paridade da sua comunidade:
X/K = YUMM.
 Este valor sobe até ao Banco Mundial (B.M.), através do Banco Nacional emissor dos U.S.A. (B.N.), aqui, e imediatamente, o valor Y é deduzido aos créditos (PIB) dos U.S.A. e somado aos créditos (PIB) de Angola. No final da operação os créditos dos U.S.A. ficam. PIB – Y, e os de Angola ficam: PIB + Y, daqui se depreende que a totalidade das UMM é sempre constante.
 A quantidade YUMM é enviada para Angola através do Banco Nacional de Angola e de um dos seus bancos comerciais, onde é transformada no dinheiro deste país aplicando o factor de paridade de Angola: YUMM.K = Z (Kwuanzas). Está assim completa a troca entre comunidades diferentes
 Estas são as únicas operações que se fazem com o dinheiro, troca de mercadorias dentro das comunidades (trocas internas), e troca de mercadorias entre comunidades diferentes (trocas externas), mas é claro que para as executar todas, há um sem número de variedade e complexidade, as quais, dentro do possível iremos apresentando.
 Apresentado assim o sistema, parece ser de concepção muito simples, e de facto assim é, porque o sistema actual funciona do mesmo modo; 100% dos países utilizam a sua moeda nacional para fazerem as trocas internas, e 90% dos países utilizam uma moeda, que não a sua, para fazerem as trocas entre comunidades diferentes, portanto só cerca de 10% dos países utilizam a sua própria moeda para fazerem as trocas entre comunidades diferentes. O que alterámos? Que apenas 10% dos países mundiais deixassem de ter o privilégio de fazer trocas entre a sua comunidade e as outras com a sua própria moeda, e passassem, tal como os restantes 90%, a utilizar uma moeda que não a sua (as UMM) para fazerem as trocas entre comunidades diferentes,
 Se algum dia um sistema como este, ou outro semelhante, fosse implementado haveria sempre o problema da sua inicialização, porque teria que haver sempre o cuidado de não retirar a uns para entregar a outros, provocando deste modo uma injustiça, que é aquilo que se pretende retirar ao sistema actual, as injustiças que provoca.
 Vamos imaginar que este sistema era implementado! Os custos iniciais seriam praticamente inexistentes; o dinheiro já existe, cada comunidade tem o seu, as instituições já existem, bancos comerciais e bancos nacionais, a única instituição a criar, banco mundial com as suas UMM, é virtual, só existirão informaticamente, deste modo o custo do lançamento do sistema será muito baixo; por outro lado há instituições que deixariam de existir porque deixaria de haver uma razão para a sua existência; tais como: FMI, o actual Banco Mundial, Mercado de Capitais, instituições estas que têm causado mais mal à humanidade do que bem, logo aqui o que a humanidade poupava superava em muito o que iria gastar com o lançamento do novo sistema
 Dado que o lançamento deste sistema não implica o prejuízo ou beneficio para qualquer comunidade em particular, haveria que ter atenção a dois pontos principais:
 1º- Dividas de cada país.
 2º- Dinheiro de uma comunidade que se encontra fora dessa comunidade.
 Para a resolução destes dois pontos, as Nações Unidas dariam, por exemplo, um período de um ano para a sua resolução, os quais seriam resolvidos do seguinte modo.
 Em relação às dívidas dos países há dois casos a considerar:
 - Dívidas internas, os países devem dinheiro a investidores privados dentro da sua comunidade, estas dívidas mantêm-se tal como estão, dado que elas serão pagas com a moeda da própria comunidade.
 - Dívidas externas, os países devem dinheiro a investidores externos. Nestes casos, o montante destas dívidas será retirado das UMM iniciais aos países devedores, e acrescentado às UMM dos países credores; vamos dar um exemplo.
 Imaginemos que a dívida do Brasil é 100% do seu PIB, assim distribuída:
 - 20% Desta dívida a investidores internos.
 - 40% Desta dívida a investidores americanos.
 - 20% Desta dívida a investidores chineses.
 - 20% Desta dívida a investidores canadianos.
 Em relação aos 20% da dívida pertencente a investidores nacionais, ficaria tal como está, o Brasil pagaria a dívida aos seus credores nacionais com o seu próprio dinheiro, o real.
 Em relação à restante dívida, esta seria paga com as suas UMM iniciais:
- Retira 40% das suas UMM iniciais e entrega-as à América.
- Retira 20% das suas UMM iniciais e entrega-as à China.
- Retira 20% das suas UMM iniciais e entrega-as ao Canadá.
 No final fica:
- O Brasil com 20% das suas UMM iniciais, ou seja 20% do seu PIB em UMM.
- A América com seu PIB inicial mais 40% do PIB brasileiro em UMM
- A China com o seu PIB inicial mais 20% do PIB brasileiro em UMM.
- O Canadá com o seu PIB inicial mais 20% do PIB brasileiro em UMM.
 Este procedimento far-se-á para todas as comunidades, e é bem possível que algumas comunidades fiquem com o seu PIB inicial em zero. Os países nesta posição ficarão na situação de contrair dívidas para continuarem com a capacidade de poderem importar mercadorias para a sua comunidade. Estas dívidas agora são feitas em UMM, e estas são controladas pelas Nações Unidas, por isso esta organização determinará um juro, o qual será igual para todos os países, sem intervenção de qualquer mercado financeiro. No caso os países com PIB a zero terão que pedir UMM aos países com PIB em excesso e pagar os respectivos juros definidos pela ONU.
 Em relação ao dinheiro que está fora da comunidade a que pertence, é fácil de resolver, porque para este não perder a sua validade terá que regressar ao país que o emitiu, dentro do prazo definido inicialmente pela ONU. Vamos dar um exemplo.
 Imaginemos que no Brasil existem 100.000.000 USD na posse de investidores privados e institucionais. Esta quantidade de USD terá que dar entrada nos bancos comerciais, onde serão trocados pela moeda nacional, no caso o real, enviados para o país emissor através do Banco Nacional e Banco Mundial, aqui estes USD são convertidos em UMM e acrescentados ao PIB brasileiro e retirados ao PIB americano.
 Quero ainda acrescentar que a força deste sistema advém do facto de o dinheiro só ter validade dentro de cada comunidade, qualquer moeda fora da sua comunidade de emissão, perde automaticamente o seu valor, por essa razão passa a não ser possível fazer a circulação do dinheiro! Aquilo que é o ponto forte do sistema monetário actual, a livre circulação de capitais, passa a não ser possível neste novo sistema, esta pequena diferença implica desde logo as seguintes vantagens sobre o sistema actual:
 - Os paraísos fiscais ou off shores extinguem-se automaticamente porque ao não haver livre circulação de capitais, estes perdem a sua razão de existir.
 - Torna muito mais difícil a existência da grande corrupção (corrupção internacional) porque o dinheiro envolvido nestas operações, ou fica no país do corruptor ou no país do corrompido, e dificilmente poderá sair de lá, logo muito mais fácil de encontrar em possíveis buscas futuras.
 - A existência da corrupção dentro das próprias comunidades é sempre possível, mas muito mais difícil em esconder o dinheiro, produto dessa corrupção, uma vez que ele tem que permanecer sempre dentro de cada comunidade, fora dela perde a validade.
 - A existência de tráfegos (droga, armas, etc.) também são dificultados, ao não ser permitida a circulação de capitais.
 Ainda outra grande força do novo sistema é a não existência de câmbios, porque uma vez estabelecidas as diferentes taxas de paridade entre a UMM e cada uma das diferentes moedas mundiais, estas permanecerão sempre inalteráveis, nunca mudam. Isto acarreta logo a eliminação dos mercados financeiros (não dos mercados bolsistas), e não vai ser mais possível ganhar dinheiro com dinheiro!
 Porque esta reflexão já vai muito longa, embora muito mais coisas possam ainda ser ditas sobre este assunto, e porque a minha principal intenção é o despertar a sociedade civil para um problema que é bem real, e que ninguém se iluda; enquanto não for resolvido, a grande maioria das comunidades deste planeta terá cada vez mais problemas.
 Por esta razão, a sociedade civil em vez de fazer manifestações contra (políticos, instituições, etc.), as quais ninguém leva a sério, vamos manifestar-nos a favor de causas bem reais, que essas sim podem trazer algo de novo e diferente para a vida de todos nós.        

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3 comentários:

  1. Este assunto é pertinente, penso que em tempos já existiu um sistema semelhante, com várias moedas (UMM) - dólar, franco, libra e marco entre as principais. Ao ser criado o Euro, acabou-se com algumas delas, mas este passo, em minha opinião foi mal dado. A UE ao criar o euro - a sua UMM, deu um tiro no pé quando acabou com a moeda nativa de cada estado membro. Nesse aspeto a Inglaterra foi esperta ao não aceitar o euro como moeda própria e manteve a libra. Este processo que parece interessante se fosse criado tinha a forte oposição dos agiotas financeiros que se consideram donos do mundo financeiro. De qualquer modo gosto da ideia apresentada e deverá ser objeto de grande reflexão.

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